Artigos de Opinião
Faz hoje 108 anos que nasceu o
"Califa de Alcácer"
João Branco Núncio
Faz hoje 108 anos que nasceu João Branco Núncio. Nome de baptismo João Alves Branco Núncio, nasceu em Santiago, Alcácer do Sal, mais precisamente na Herdade das Parchanas, São Romão. Toureou corajosamente até à hora de sua morte, em 26 de Janeiro de 1976 na Golegã.
Considerado por muitos que o conheceram como o maior Cavaleiro Tauromáquico, sendo por eles tratado por "Mestre".
Filho e neto de lavradores, seu avô, Joaquim Mendes Núncio, mudou-se da Golegã para Alcácer do Sal no ano de 1878.
O seu pai criou touros de lide pelo que cedo despertou para aquela que viria a ser a sua verdadeira vocação: a de cavaleiro tauromáquico.
Apresentou-se em público pela primeira vez com 13 anos, na Praça de Touros de Évora, no dia 23 de Agosto de 1914.
No entanto, obrigado a prosseguir os estudos, é forçado a deixar as arenas por algumas temporadas.
Só regressa às lides em 1917, depois de ter concluído o Curso Geral do Comércio na Escola Académica de Lisboa, onde conhece o seu amigo e companheiro de arenas, Simão da Veiga. Começa então a actuar em praças de província, mas o seu estilo inovador e o génio que revela na arte do toureio deixam adivinhar a brilhante carreira que o cavaleiro viria a ter.
Devido às suas brilhantes participações foi-lhe concedida alternativa na Praça de Touros do Campo Pequeno, em Lisboa, a 27 de Maio de 1923, pelas mãos de António Luís Lopes, numa corrida organizada por Patrício Cecílio, toureando num dos seus famosos cavalos Quo Vadis.
Na altura, o cavaleiro era já figura de destaque no meio tauromáquico. Uma semana depois de receber a alternativa é contratado para tourear no Campo Pequeno, mas faz constar do seu contrato uma cláusula em que exige lidar apenas touros puros, ou seja, animais que nunca tivessem sido toureados ou corridos em praça.
Com a ajuda do seu amigo Simão da Veiga, João Núncio inicia uma revolução na tourada portuguesa que conduz ao abandono do uso do touro corrido. O cavaleiro revela-se também inovador na forma como preparava as suas montadas. Cada um dos seus cavalos adaptava-se a uma lide específica.
Casou-se em Viana do Alentejo, Alcáçovas a 28 de Dezembro de 1929, com Maria Henriqueta Fragoso de Barahona, os quais tiveram 3 filhos, José Barahona Núncio, João de Barahona Núncio e Francisco de Barahona Núncio.
Em 1949 recebeu a Comenda da Ordem de Benemerência e, mais tarde, em 1963, realizou a corrida dos 40 anos de carreira, onde recebeu o Colar da Ordem de S. Tiago. Em 1973 foi ainda condecorado com a Comenda da Ordem Infante D. Henrique.
Em 20 de Setembro de 1964 realizou-se uma Corrida de homenagem, pelo seu meio século de toureio, da qual fazia parte do cartel João Branco Núncio, Manuel Conde, Pedro Louceiro, José Maldonado Cortes, José Barahona Núncio, José Samuel Lupi e o amador Luís Miguel da Veiga.
Lidaram-se 7 toiros dos Herdeiros de D.Diogo Passanha que foram pegados pelo Grupo de Forcados Amadores de Évora.
Concedeu a última alternativa da sua vida a José João Zoio, na corrida comemorativa dos seus 50 anos de alternativa.
A sua última corrida realizou-se em Vila Franca de Xira, em 21 de Outubro de 1973.
Participou em cerca de mil touradas, 200 dos quais sem interesse económico, lidando com cerca de 2 mil touros e utilizando 61 cavalos.
Desde 2004 a empresa "Afcionar, Lda." de Carlos Pegado e Vasco Durão institui o prémio "João Branco Núncio" para a melhor lide da última corrida da temporada na praça de Alcácer do Sal, que ostenta o seu nome, prémio que continua a ser atribuído até aos dias de hoje.
A Praça de Touros de Alcacér do Sal foi mandada construir em 1922, pelo seu avô Joaquim Mendes Núncio Júnior, a obra em alvenaria tinha capacidade para cinco mil espectadores.
Em 1974, João Branco Núncio concede a doação do espaço à Santa Casa da Misericórdia, tornando-se aquele o prédio urbano com maiores proventos para a instituição.
O Museu Particular de João Branco Núncio, situado na sua antiga residência, na Casa das Quatro Torres, em Alcáçovas, e que a família prima em mostrar, é prova da sua inabalável memória.
Em 2001, Núncio Fragoso editou um livro para comemorar o centenário do seu nascimento.
Em 2007 a administração do Campo Pequeno decidiu atribuir, a título póstumo, o "Galardão Prestígio" a João Branco Núncio, que foi entregue no intervalo da corrida de dia 17 de Abril em Lisboa a seu filho, João Barahona Núncio.
Editorial
1/2/2009
A partir de 1 de Fevereiro os verdadeiros aficcionados poderão regozijar-se por terem à sua disposição um site com a verdade que a Festa
exige.
A independência, o rigor, as luzes e as sombras de uma Festa que a todos nos apaixona, estarão acima de todas as quezilias, jogadas de bastidores, interesses de terceiros ou ligações a qualquer
agente directo da Festa.
A verdade nua e crua será uma realidade.
Doa a quem doer. Iremos reger-nos pelo rigor.
Sem falsas modéstias e sem sermos snobs ou arrogantes, tentaremos trazer a educação taurina que tanta falta faz aos mais novos, e esperamos merecer o melhor reconhecimento dos que, há muitos anos,
acompanham o fenómeno taurino.
Esta é uma Festa secular que respeitamos e que merece ser tratada com a isenção devida. É nesse sentido que Sol e Sombra foi criado.
Os sonhos e as ilusões, os triunfos e os fracassos, as crónicas, os comentários, as entrevistas, as reportagens, no campo, nas tertúlias, nas praças de toiros.
Reconhecemos que muito trabalho nos aguarda no sentido de trazermos ao aficionado o que pretende saber. Cartéis, noticias de ultima hora, novidades e porque não, algumas recordações que fizeram
história.
Tentaremos ser diferentes na imagem, nas palavras, nos sentimentos. Há algo que nos invade e nos dá força, Aficion. Uma paixão desmesurada por uma Festa que nos tem dado momentos de inolvidável
prazer, emoções e tristezas.
Ela faz parte das nossas vidas.
Aqui estaremos de corpo e alma, como bons aficionados com a cabeça despejada para que possam caber mais toureiros.
Daremos prioridade a quem procura um lugar ao sol como é o caso dos nossos jovens novilheiros. O toiro, verdadeiro baluarte da nossa Festa, terá lugar destacado.
Aceitaremos as criticas quando construtivas e não entraremos em discussões mesquinhas que em nada abonam para a verdade da Festa.
Queremos, podemos e devemos ser diferentes. É essa a nossa meta. Com as nossas luzes e,obviamente, com as nossas sombras, mas sempre em prol da Festa de Toiros.
Esperamos que possa disfrutar do nosso espaço.
Com Aficion.
Contamos consigo.
Seja Bemvindo!
Raul Caldeira
