Daqui para a frente… Sorte, Duarte!
Foi na passada quinta-feira, dia 23, que a Monumental Praça de Toiros do Campo Pequeno apresentou uma preenchida moldura humana para assistir à Alternativa do jovem cavaleiro Duarte Pinto, numa
boa noite de toiros com momentos marcantes.
O cartel apresentava duas gerações, com diferentes estilos, composto por: Emídio Pinto, Paulo Caetano, Joaquim Bastinhas, João Moura Caetano, Marcos Tenório, e Duarte Pinto, e ainda testemunhas
de honra como Luís Miguel da Veiga, Frederico Cunha, e D. José João Zoio. Lidou-se um pesado curro de toiros da Ganadaria de Maria Guiomar Cortes Moura que cumpriu, permitindo o triunfo dos
cavaleiros, e pegaram os Grupos de Forcados Amadores de Cascais, Monforte e Elvas.
As cortesias foram marcantes, com as testemunhas de honra a pisaram novamente a arena da primeira Praça do país, bem como Emídio Pinto, recebendo uma forte ovação por parte do público presente que sentia o momento.
De casaca bordeaux saiu à Praça o já retirado cavaleiro Emídio Pinto, que regressou para dar a Alternativa ao filho, Duarte, que apresentou uma bonita casaca cor pérola, e que não escondeu a sua alegria num momento carregado de emoções, numa das datas mais marcantes e importantes para um cavaleiro.
Com classe recebeu bem o “Pueblo”, com 618kg, do ano 2005, preto pouco bragado, citando de largo para cravar um primeiro ferro comprido com as cores da bandeira nacional. Duarte bregou bem, colocou o oponente em terrenos apropriados, e partiu a passo para cravar o segundo nos médios. Nos curtos, ao som de um passodoble, preocupou-se com uma correcta preparação das sortes, citou de largo, partiu de frente, e cravou com determinação. Destaca-se o se o terceiro, com uma boa reunião e cravado ao estribo com poder de alto a baixo, a chegar ao público que o aplaudiu bastante satisfeito com esta sua actuação. Duarte transbordava alegria e saiu visivelmente satisfeito.
Seguiu-se o cavaleiro Paulo Caetano que recebeu muito bem o seu toiro, com uma tremenda classe a cavalo. Bregou correctamente, colocou o toiro em terrenos certos, reuniu com emoção e rematou
as sortes por terrenos de dentro.
Joaquim Bastinhas levou o delírio às bancadas, numa lide com alegria. Recebeu com brio o toiro à porta gaiola, cravando seguidamente dois ferros valorosos compridos. Com o toiro a querer
adiantar-se, cravou três curtos de boa nota, rematando-os com valentes ladeares. Deixou ainda um palmito, e finalizou a sua actuação com o característico par de bandarilhas, cravado sublimemente em
terrenos médios, levantando o público que constantemente o aplaudiu.
João Moura Caetano recebeu bem o oponente que lhe coube, cravou um primeiro comprido de alto a baixo com batida ao piton contrário. Na ferragem curta deixou dois primeiros valorosos, ao
aguentar com o cavalo em terrenos de compromisso, e ao cravar em sorte cambiada levando grande emoção às bancadas. Após a colocação do terceiro, levou forte toque contra as tábuas. Trocou de montada,
bregou, mudou-lhe os terrenos e cravou com determinação um ferro de palmo, que agradou ao público.
O jovem cavaleiro Marcos Tenório apresentou-se no Campo Pequeno com uma actuação de grande nível, entendendo exemplarmente o oponente que lhe calhou. Cravou quarto curtos com determinação, ao seu estilo bem consolidado, e rapidamente chegou ao público, que soube reconhecer-lhe o mérito. Terminou com um valente e empolgante ferrinho de palmo, mostrando a belíssima época que está a passar.
Emídio Pinto saiu à arena para pedindo autorização ao Director de Corrida, José Tinoca, para lidar a duo com seu filho, numa noite em que tal actuação, todo o sentido e carga emocional tiveram. Momentos que certamente serão inesquecíveis para ambos.
Pelos Amadores de Cascais pegaram Joel Zambujeira à primeira tentativa, na primeira pega da noite em que ocorreu um incidente com um forcado, que aquando a reunião do grupo cravou uma bandarilha
no dedo mindinho da mão esquerda. Foram momentos verdadeiramente aflitivos para retirar a bandarilha do toiro, num visível sofrimento do forcado, que parecia não ter fim. E Luís Camões, também à
primeira.
Pelos Amadores de Monforte pegou o cabo, Paulo Freire; e Luís Aranha, ambos à segunda tentativa.
Pelos Académicos de Elvas pegou João Pedro Pimenta à terceira, numa pega em que ainda se viveram momentos de pânico quando o cabo, Ivan Nabeiro, ficou paralisado e estendido no chão, felizmente
sem consequências; e Joaquim Guerra à segunda.
Dirigiu o espectáculo José Tinoca, assessorado pelo Médico Veterinário Dr. Carlos Santos.
Patrícia Costa
