Foi uma tarde de vários matizes a que se viveu hoje em Santarém.
Com cerca de três quartos de casa (dez mil pessoas) e tempo bastante agradável inaugurou-se a temporada na Monumental “Celestino Graça” em Santarém. No inicio da função guardou-se um minuto de silêncio em memória de Martinho Bento e do jovem forcado Francisco Matias do Grupo de Forcados Amadores de Portalegre.
Os toiros com o ferro de Pinto Barreiros saíram à arena da capital escalabitana, algo terciados (o segundo da ordem inapresentável para uma praça com a dimensão da “Celestino Graça”), melhor apresentado o quinto, ainda que algo selado, acusando quinhentos e setenta e cinco quilos, o terceiro algo bisco do piton esquerdo, e todos eles justos de forças, mansos, encastados e com algum grau de nobreza.
Manuel Lupi teve, com o seu primeiro, mansote e nobre, uma lide agradável, intencional, de bons pormenores de brega, destacando-se na colocação dos terceiro comprido e segundo curto. Sentiu dificuldades por culpa própria, perante o quarto, o qual adivinhava as intenções do ginete e o revolcou por várias ocasiões. Se Manuel Lupi, ainda que citando de largo, como o fez, tivesse dado prioridade ao toiro, fazendo as viagens rectas e só depois abrir o quarteio, reunindo no centro da arena, já os embroques poderiam ter sido feitos correctamente, evitando os toques na montada.
João Telles Jr teve duas actuações distintas. A primeira, perante um toiro terciado e distraído, foi uma lide desligada e desgarrada. João Telles Jr sabe que não pode, nem deve, partir para o toiro sem este estar em sorte. Aconteceu por duas vezes aquando da colocação dos ferros compridos ( tanto no primeiro como no seu segundo). Também sabe que a um toiro distraído não lhe pode dar muita distância, tendo de o interessar e lidar em curto. Sabe, também, que a um toiro nobre e encastado não lhe pode fazer a batida ao piton contrário, pois ficará sem toiro na altura da reunião, o que fez com que passasse três vezes em falso. As reuniões sairam falseadas e a cravagem dos ferros sem a intensidade necessária, contando-se três ferros na arena, que acabaram por cair. Apenas no último ferro curto encontrou a distância correcta, sofrendo, todavia, ligeiro toque no cavalo. Remontou a tarde perante o quinto, o mais volumoso da corrida, algo débil mas cumpridor. Utilizando o “Bacatum” e o “Ojeda”, foram dele os momentos mais aceitáveis da tarde. Excelente nos três compridos e aproveitando a bondade do “pintobarreiros”, colocou três curtos, com ligeiras entradas ao piton contrário, de boa colocação. Terminou, montando o “D´Orey”, com o habitual número de “dois em um”, uma sorte de violino seguido de um ferro de palmo em terrenos cambiados, que fizeram as delicias da multidão.
João Salgueiro da Costa iniciou com boas intenções a sua primeira actuação. O toiro foi um manso encastado que respondeu com prontidão aos cites, mas que buscava terrenos de dentro para se defender. Citou de largo, aguentou as investidas, deixando vir o oponente, mas as sortes, além de resultarem vistosas, pecaram pela deficiente colocação dos ferros. Nos curtos, e com o Picasso, as sortes resultaram desluzidas, com ferros à tira, e com o Van Gogh dois curtos finais com quiebros sem emoção. Perante o último da função, o toiro que cumpriu, não resultaram os ferros iniciais em sortes cambiadas e as consequentes passagens em falso. Com os curtos esteve apenas cumpridor.
O Grupo de Forcados Amadores de Santarém teve a cara e coroa da tarde. Depois do cabo Diogo Sepúlveda, enorme a aguentar fortes derrotes, e de Gonçalo Veloso, cheio de garra e vontade, ambos á primeira tentativa, António Grave de Jesus sentiu sérias dificuldades perante o quinto, imobilizando o toiro apenas à sétima tentativa, a sesgo e ao sopé.
José Vinagre, Nuno Santana e Ruben Duarte foram os caras do Grupo de Forcados Amadores de Alcochete, escolhidos por Vasco Pinto, para realizarem as pegas, todas ao primeiro intento.
Logo após o intervalo, saiu um toiro da ganadaria de S. Torcato para as alternativas de bandarilheiro, de Telmo Serrão e de Cláudio Miguel, realizadas com distinção, concedidas por Pedro Gonçalves.
por Raúl Caldeira
