Feira de Outubro em Vila Franca de Xira

 

Mais um ano passado, mais uma página registada na história taurina de Vila Franca de Xira!
Fugindo à caracterização exaustiva dos vários cenários taurinos que a centenária Praça de Toiros acolheu, concluiu-se que” vale sempre a pena, quando a alma não é pequena” e, no mundo dos toiros, alma, coragem, inteligência e risco, são o dominador comum para o sucesso. E isso provou-se pela atitude da empresa Tauroleve, que perante as intempéries meteorológicas e de ordem judicial, conseguiu levar por diante os espectáculos agendados, exceptuando o último, que devido às condições climatéricas foi cancelado.
O público e aficionados regressam com os bons ventos alísios que se fazem sentir!
No dia 4 de Outubro, um agradável ambiente pincelou o quadro taurino da tarde. Uma nova geração de cavaleiros, João Telles Jr, Francisco Palha e Tiago Carreiras, esboçaram no ruedo, os seus estilos, recriando boas nuances de registo.
O grupo de forcados nesta noite foi o grupo de Mazatlán (México) e os amadores de Vila Franca de Xira, rivalizando-se com pegas realizadas aos exemplares da divisa Ribeiro Telles.
No dia 5 de Outubro, uma bonita homenagem das bodas de ouro de alternativa do maestro José Júlio, que apesar da idade, assinou uma faena alegre, intemporal,uma aula prática de toureio, de pés colados ao chão, mostrando quem manda. Um exemplo para todos os jovens que querem ser toureiros, que há que arriscar, transmitir a verdade do toureio, contagiar o público, para que esse mesmo público vá e participe no espectáculo.
Lidaram sete toiros Oliveira Irmãos respectivamente, José Júlio, Sánchez Vara, o triunfador da corrida do Colete Encarnado 2009, António João Ferreira, João Augusto Moura.
Sanchez Vara, mais uma vez, demonstrou grande entrega ao público e ao seu oponente, caracterizando em ambas as faenas, dedicação, poderio e a preocupação de desenhar uma lide completa e diversificada, carregada de brilho e emoção. Na sua segunda lide, sentiu-se tourear a gosto, correndo a mão, onde temple e profundidade, foram as notas dominantes, aproveitando o bom exemplar que lhe coube em sorte, tendo este toiro, merecido dar volta à arena da Palha Blanco ao som de um forte aplauso. Foi exigida a presença na arena, do ganadero Oliveira Irmãos.
António João Ferreira, conseguiu chegar ao público, com o seu capote placeado, num momento de menos brilho nas bandarilhas e uma muleta graciosa ao natural. O seu segundo toiro revelou incapacidade de lide devido a um problema na pata direita, saindo em praça um altivo e astifino sobrero. Com uma apresentação incomum nas praças portugueses, o jovem matador, lidou um toiro em hastes integras, com uma cornamenta intimidante, provocando uma emoção generalizada no público. Bandarilhou, cravou e temeu-se o pior, pois foi agarrado aparatosamente ao sair da cravagem. Um exemplar com uma investida brusca e contrariada à muleta, revolvendo-se. Pela esquerda, saiu mais solto mas defendia-se.
João Augusto Moura, aguentou a investida nas séries de muleta, pois o seu adversário mirava a sua figura, antes de investir, como que a intimidar o toureiro. No final adornou-se, aguentando em terrenos de compromisso. No seu segundo lote, não clarificando as distâncias, deixou enganchar a muleta, sendo difícil ligar faena, apesar de salientar alguns naturais de boa figura.
No dia 6 de Outubro, de salientar o momento de passagem de testemunho do Cabo Vasco Dotti, para Ricardo Castelo. Os cavaleiros António Ribeiro Telles, Luis Rouxinol e Leonardo Hernández, lidaram seis toiros do Sr. Fernando Palha, com características e pelagem muito própria e peculiar, no entanto, nesta noite, transmitiram pouca emoção no decorrer das lides, não contribuindo para a entrega dos intervenientes.
Uma nota positiva à afluência de público, mesmo com um tempo incerto e, às exigências deste por uma correcta cravagem dos ferros.
A forcadagem de Vila Franca de Xira esteve em grande plano. Excelentes pegas, de salientar, a primeira e última pega como cabo do grupo, de Vasco Dotti; Uma pega de grande sentimento e respeito pelo toiro, uma pega de abraçar a força contida de um toiro, uma pega de diálogo com o toiro. Um cabo que muito contribui para o grupo que é hoje! Um forcado que não se retira, apenas afasta-se da sua responsabilidade, mas que continuará sempre presente na Festa!



Dulce Guarda