PALHA BLANCO RENASCIDA

Já passaram 77 anos que o lavrador, Sr. José Van Zeller Pereira Palha, idealizou aquela que viria a ser a festa anual de homenagem ao rei da lezíria ribatejana, ao campino; O Colete Encarnado, a maior festa Ribatejana.
E este ano a empresa Tauroleve, viu reconhecido o seu mérito e empenho em fazer renascer a Palha Blanco e conseguiu-o com uma corrida mista, na tradicional corrida do dia 5 de Julho.
Com a praça composta e um público expectante e sedento das grandes tardes de toiros, viveram-se momentos de grande satisfação e afición, como não se vivia em largos anos taurinos em Vila Franca de Xira.
Lidaram-se toiros da ganadaria Falé Filipe, de bonita apresentação e trapio, dando oportunidade de lide, uma ou outra mais exigente.

O tom verde da casaca de ambos os cavaleiros pronunciava a esperança taurina de todos os aficionados vilafranquenses na praça...

Com o primeiro toiro a ser lidado pelo cavaleiro António Ribeiro Telles, o público começou a ser contagiado, com compridos e curtos perfumados de arte, ofício e sortes bem desenhadas.
O cabo dos forcados amadores de Vila Franca, Vasco Dotti, fez uma pega à primeira tentativa, de forma exemplar.
João Telles júnior recebeu o seu toiro à porta da gaiola, bregando muito bem, colocando o toiro nos médios, cravando e rematando como mandam os cânones e com a preocupação de levar a atenção do toiro no cavalo, transmitindo os ferros curtos, alegria e emoção.
Também ao primeiro intento, o forcado Diogo Pereira, fez uma excelente pega, com boas ajudas.

No toureio a pé, Sanchez Vara, de traje de luces tom “espuma de mar”, coloriu a Palha Blanco.
De joelhos em terra, recebeu ambos os toiros, por largas afaroladas, seguindo por verónicas e meias verónicas. Nos médios lanceou de forma variada e alegre, por navarras, rodopiando nas sapatilhas, com ganas de mostrar a sua arte e triunfo, rematando com uma bonita revolera.
Nas bandarilhas, brinda ao público, executando a sorte com brilhantismo e poder, recebendo uma forte ovação, com o público de pé. No segundo toiro, convida o seu subalterno, o bandarilheiro vilafranquense, David Antunes, a dividir o tércio de  bandarilhas, que crava de forma exímia.
Na muleta, sentado no estribo da arena, inicia faena por baixo, remantando com um trincherazo e nos médios desenhou tandas potentes pelo lado direito, com estética, levando o toiro na muleta planchada.
Pela esquerda, naturais com amplitude e expressão.
Na sua segunda faena de muleta, de joelhos, põe a praça ao rubro, com derechazos e passes de peito alternados, com o público de pé a aplaudir, aproveitando bem a investida franca do seu oponente.
Toureando a gosto pela direita e com profundidade, com o toiro no centro da arena, cita e apresenta a muleta carregada de inspiração recriando-se, correndo a mão, mirando o público, contagiando-o. Pelo pitón esquerdo, o toiro não era tão claro, não deixando criar o brilhantismo das séries do lado direito.
Este segundo exemplar da ganadaria de Falé Filipe foi muito aplaudido, premiado com volta a arena e música. No fim, toureiro e ganadeiro, deram volta à arena com forte ovação.

João Augusto Moura, recebeu o seu primeiro toiro, por suaves verónicas até ao centro da praça, rematando por uma verónica, estudando a investida e tentando fixá-lo.
Nas bandarilhas, destaque para o bom nível do bandarilheiro Cláudio Miguel que nesta tarde esteve inspirado.
Antes de laborar a muleta, brindou a sua faena a um animado grupo de campinos, homenageando assim, esta figura ímpar da cultura portuguesa.
De forma serena, começa por alto até aos médios, explorando a direita, por séries de bons muletazos templados. O lado base da sua faena foi pela direita, pois o toiro pelo pitón contrário ficava curto, obrigando o novilheiro a cruzar-se, não deixando ligar faena. Com o toiro a vir a menos, pouco mais pôde fazer, mas deixou claro a sua intuição.
No sétimo da ordem, mais uma vez, o seu capote deu vida a verónicas, meias verónicas e uma bonita revolera. O tércio de bandarilhas, bem executado por Pedro Gonçalves e Cláudio Miguel.
Estatuários, derechazos e naturais serenos e com profundidade, foram sentidos pelo público, soando os acordes de um clássico passodoble.
Com um toiro que se defendia e com uma investida curta, o novilheiro aguentou bem alguma dificuldade gerada pelo mansote que lhe coube em sorte e ficou claro o reconhecimento por parte do público que o ovacionou fortemente.

Os cavaleiros António Ribeiro Telles e João Telles júnior, na segunda parte da corrida, antes da lide apeada, lidaram um toiro a duo, brindando ao grupo de forcados de Vila Franca, que nesta tarde estiveram dignos do seu êxito.
Foi uma lide em uníssono e entusiasmante, com um toiro a corresponder na integra, revelando bravura, cooperando até ao fim da lide, rematando João Telles com um emocionante violino.
Na pega de caras, esteve Paulo Conceição, realizando uma bonita pega, falando com o toiro, que mesmo com uma investida incerta, fecha-se à córnea, aguentando os derrotes e com boas ajudas, realiza a pega ao primeiro intento. Um bonito momento também sentido nas bancadas, pelo rabujador, que saiu na cara do toiro.
Um final de tarde fresco, mas que deixou acalorado, os corações dos aficionados presentes na centenária praça de Toiros Palha Blanco.

A redação