Entrevista ao novilheiro Nuno Casquinha
No ano em que decidiu retomar as lides o Sol e Sombra foi falar com Nuno Casquinha e saber
um pouco mais de si e dos seus projectos para o futuro.

Nuno Casquinha a temporada de 2009 acabou para si repentinamente, quando menos se esperava o que aconteceu na realidade?
Eu cortei a temporada no inicio do mes de setembro de 2009, devido a estados de depressão e ansiedade, que ja vinham de ha mais de 2 anos atrás, mas que cada vez evoluiram mais depois do acidente que tive em setembro de 2008 quando faleceu o meu picador Jose Paulo Nunes.
Agora vendo as coisas friamente, deixei arrastar tempo demais um estado com o qual não se consegue estar bem na vida e isso cada vez se ia verificando mais quando me encontrava em praça.

Entretanto recuperou e reapareceu esta temporada no Festival da Granja no dia 13 de Fevereiro, quais os objectivos para esta temporada?
A recuperação da doença que me fez cortar a passada temporada em principio seria bastante mais larga, portanto  no inicio pensámos que este ano iria estar sem tourear mas graças a Deus e com a ajuda dos médicos e das pessoas amigas, a minha recuperação foi surpreendente e por isso mesmo senti que estava já preparado para voltas ás arenas, portanto nesta temporada o objectivo principal é voltar a mostrar as aficionados que estou aqui novamente e plenamente consciente do que quero e posso fazer.


Conte-nos como se sentiu nesse festival onde deixou bom ambiente?
Para mim era uma incognita como me iria sentir, pois não toureei um unico novilho em todos estes meses e somente algumas vacas. Mas os meus pensamentos cumpriram-se no dia da minha reaparição, senti-me muito feliz, antes, durante e depois da actuação. Foi um dia que teve um significado especial para mim, depois de ter superado momentos complicados e talvez por isso mesmo, disfrutei tanto no festival e não posso deixar de realçar o bom comportamento do novilho da ganadaria Murteira Grave, que realmente me deixou disfrutar.

Após o triunfo da Granja recebeu alguns convites para tourear noutros locais?
De momento ainda não, pois os 2 festivais que tenho contratados já os tinha antes de actuar na Granja. São eles dia 28 de Fevereiro em Vila Franca de Xira e 10 de Abril em Barrancos.

Todos os toureiros ambicionam ir ao Campo Pequeno, já foi abordado no sentido de actuar esta temporada em Lisboa?
Houve realmente uma conversa com o Maestro Rui Bento Vazquez, mas de momento não ficou nada decidido. mas a minha ambição é poder ir ao Campo Pequeno quando houver oportunidade para que isso aconteça, pois é a praça mais importante do país e tudo o que la ocorre tem repercussão.

E Espanha, está nos seus horizontes? Existem convites?
Sem duvida que está nos meus horizontes. Mas sinceramente so quero aparecer em Espanha quando estiver ao nível que eu quero.  não se pode falhar nem um dia

Quer dizer que o dia da Alternativa ainda vem longe?
O dia da alternativa depende muito de como vá decorrendo esta temporada, é um passo fundamental na minha vida e que na minha opinião não pode ser dado de qualquer forma.

Ter paciência é uma qualidade que considero muito importante para se ser toureiro.

Como se define como toureiro?
Ao responder-lhe a esta questão tenho de dizer que comigo acontece o que um dia disse Juan Belmonte: “se torea como se es”.

Tenho aprendido a ser cada vez mais a ser templado e paciente, na vida essa evolução pessoal tem-se reflectido na minha forma de tourear pois cada vez mais procuro o ritmo e o temple nas minhas faenas. Diria que o meu toureio cada vez mais caminha para o clacissismo.

Quem são as suas referências, ou se quiser os seus idolos?
Eu admiro todo aquele que tem o valor e a intuição necessária para estar á frente de um toiro mas alguns toureiros são para mim autênticos idolos pela sua personalidade tais como Juan Belmonte, Manolete, Paco Camino, Paco Ojeda, David Silveti, José Tomás e El Juli, sendo diferentes nas suas formas de executar, têm no entanto alguns aspectos que considero comuns.

Com que encaste se sente mais a gosto a tourear?
O encaste com que mais me identifico é sem duvida o encaste Santa Coloma, embora pareça estranho porque é o tipo de toiro mais temido.

Para mim no entanto é o que me faz disfrutar mais, Santa Coloma-Saltillo quando são bons, penso que as suas investidas têm mais profundidade do que qualquer outro encaste.

Este fim-de-semana actua num Festival na Palha Blanco. Sente-se um Toureiro de Vila Franca de Xira?
sim, sinto-me um toureiro de Vila Franca com muita honra porque tem sido "mãe" de toureiros muito importantes inclusivé de um deles que deu a vida pelos toiros e quando toureio na Palha Blanco sinto algo especial, quando as coisas correm bem há uma comunicação especial com o seu público.

A internet é o meio de divulgação e promoção por excelência, talvez o mais importante do Mundo actualmente, tal como muitos toureiros também o Nuno Casquinha não resistiu e tem um site online, conte-nos como tem sido essa experiência?

Eu creio que a internet actualmente,  tal como disse é o meio de divulgação mais importante do Mundo e na minha opinião nós temos de acompanhar essa evolução. o meu site embora seja relativamente recente parece-me ser do agrado dos aficionados dado o número de visitas que diariamente recebe.  Lá estão as noticias mais recentes sobre mim, assim como fotos e videos da minha preparação para a temporada.

Quem faz parte da sua quadrilha esta temporada?
Neste momento ainda não tenho a quadrilha definida, dado ainda não existir uma série de contratos que compense á quadrilha estar fixa comigo. Mas no seu momento será apresentada.
 

Para terminar quer deixar uma mensagem para os seus seguidores?
Quero agradecer-lhes desde já o enorme apoio que me têm mostrado em todas as fases da minha carreira e dizer lhes que vou continuar firme com o meu objectivo de ser um toureiro importante e de dar lhes cada vez mais motivos para me irem ver ás praças.