Entrevista a Paulo Freire

Entrevista realizada em 18/1/2009

por Madalena Barbosa

No passado dia 18 de Janeiro,  depois do primeiro treino do ano do Grupo de Forcados Amadores de Monforte, na Herdade da Torre, pertença do Cavaleiro João Moura, que o Cabo Paulo Freire nos respondeu a algumas perguntas. Foi um treino a campo aberto, tendo sido a primeira vez que o GFA Monforte treinou nestas condições e a experiência não podia ter sido melhor. No final ainda tivémos direito a uma saboreosíssima "Gravançada" feita pelo forcado Luis Aranha.

Sol e Sombra (SeS) - Como e quando começou o grupo?
Paulo Freire (Cabo do GFA Monforte) - O grupo de Monforte começou em 1998, com 6 ou 7 amigos que gostavam de ver a arte de pegar toiros e eram muito aficionados e gostavam de ver as tentas dos toureiros da terra, a tourearem o gado, a fazerem os treinos nas casas deles. E gostavam sempre de ir ver, e tinham sempre vontade de experimentar pegar. E foi assim que começou, nas tentas com os toureiros da terra. Quando eles acabavam os treinos deles nós pegávamos as vacas, para meter para dentro. E depois, um dia, pensámos em levar o grupo mais à frente, e pensámos em fazer um grupo de forcados, também já com mais alguma experiência, já com mais alguns anos, porque éramos todos muito novos. E conseguimos formar um grupo de forcados.

SeS – E que se estreou em 2000?
P.F. - Exactamente. Em 1998 ainda tivemos uma ou duas actuações, com calças de ganga e camisa branca. E em 1999 também. Mas foi, oficialmente, em 2000 que o grupo apareceu e se formou, com jaquetas, portanto, como ditam as regras.

SeS – Porque se tornou cabo?
P.F. - Isso foi uma opção. Nós escolhemos entre os amigos que começaram. Fomos a votos. E como éramos todos novos e com pouca experiência, optámos por ser eu, foi uma escolha entre todos os elementos que constavam nessa altura.

SeS - É fácil gerir um grupo de forcados como cabo?
P.F. - Fácil... fácil nunca é. Tem os momentos bons, os momentos fáceis. E tem os momentos difíceis. Que são mais do que os fáceis, claro. Eu sou novo, tenho forcados mais velhos do que eu. Por vezes não é fácil impor-me porque somos todos mais ou menos da mesma idade. Fácil não é... mas as coisas vão andando e vão-se concretizando, com a ajuda de todos os elementos. Somos um grupo muito unido e é isso que, ainda hoje, nos leva a cá andarmos e a ter vontade de triunfar.

SeS - E quantos elementos são?
P.F. - Somos por volta de 25 elementos, não é um grupo com muitos elementos. Nunca foi.

SeS - Em quase 11 anos de grupo houve épocas boas e épocas más, conte-nos como foi?
P.F. - É verdade... mais épocas más ao início. É normal, é o inicio, pouca experiência... depois quando as coisas se complicavam nós não conseguíamos dar a volta, ou quando dávamos era de uma maneira menos boa. Essas coisas têm-se vindo a superar, temos vindo a dar passos consoante a nossa perna e, devagarinho, temos vindo a conseguir fazer êxitos atrás de êxitos. Claro que também vêm aquelas taras difíceis, conseguimo-las passar e no dia a seguir levantamos a cabeça e unidos conseguimos vencer e ultrapassar esses momentos menos bons. Tentamo-nos lembrar só dos bons e fazer com que as épocas sejam boas e produtivas para o grupo.

SeS - Acha que 2008 foi a melhor época de todas? Porquê?
P.F. - Sim, realmente acho que foi a melhor época. Primeiro que tudo porque foram muitos touros pegados ao primeiro intento. Mas houve uma corrida que nos marcou muito: a do Campo Pequeno. Foi o ano que marcou o grupo de Monforte porque fomos ao Campo Pequeno e foi um ano repleto de êxitos. Fomos, também, a outras praças muito importantes: Portalegre, Alpalhão, Albufeira, Tavira, Elvas, a praças que nunca tínhamos ido, e que até voltámos lá pela segunda vez. E foi uma estatística muito boa em 2008.

SeS - O grupo atingiu um patamar diferente, conseguiu “a pulso” crescer e apresentar-se em grandes praças do país, agora as responsabilidades são acrescidas?
P.F. - Exactamente. Acho que sim. Temos de trabalhar, temos de fazer treinos, temos que continuar juntos e unidos, para que se consiga manter o patamar. Chegámos a um patamar e temos que o manter, que às vezes é o mais difícil. Claro, nós vamos tentar com toda a garra e com muito trabalho, mas tem de ser! Temos de aguentar o patamar e quanto mais melhor! Agora é sempre, espero.

SeS - Acha que, por vezes, não é dado o devido valor ao grupo pelos meios de comunicação? Porquê?
P.F. – Sim. Muita gente diz que vai às corridas porque gosta de ver os forcados. Mas de certo modo esquecem-se que o amador é o forcado. Quando se fala sobre as corridas, fala-se sobre os toureiros. Quando há lesões esquecem-se de nós. Quando se fala em ganhar dinheiro, esquecem-se que os forcados amadores não andam na Festa para ganhar dinheiro. E mesmo as críticas por vezes não são correctas. Tem que se ver bem a realidade e tem de se ver quando se está mal e quando se está bem. E há muitos críticos e imprensa que vê as coisas só para o lado deles, e para a terra deles.

SeS - Como vê o seu grupo em relação aos outros grupos?
P.F. – Acho que é um grupo igual aos outros. Claro que há aqueles grupos com mais idade e mais historial do que o nosso. O grupo de Monforte é novo e dentro das capacidades e idade que tem não nos sintimos inferiores a ninguém. Talvez o grupo de Montemor, o grupo de Santarém, o grupo de Lisboa... são grupos mais velhos, com mais historial, e com uns alicerces mais bem constituídos que os nossos. Mas, ainda no ano passado, pegámos com eles Campo Pequeno e não ficámos abaixo deles.

SeS - Quais as ambições do grupo para esta época?
P.F. – Voltar ao Campo Pequeno. Essa é a primeira. E depois é tentar ir às praças que fomos no ano passado, que foram bastante boas. Ir a praças de primeira, que aqui na nossa zona não são muitas. No ano passado fomos a algumas e são as praças de nome e de mais importância que dão um bocadinho mais de adrenalina, e são essas que nos dão gozo de ir e de lá voltar. 
 

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